A UNILEHU é uma instituição sem fins lucrativos que promove a valorização da diversidade, através de ações inovadoras para inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho.
Extraído de texto do especialista em deficiências Luis Fernando Astorga Gatjens, da Costa Rica, Diretor Executivo para a América Latina e Caribe do Instituto InterAmericano sobre Deficiência e Desenvolvimento Inclusivo (IIDI) - Tradução: Romeu Kazumi Sassaki
Como nós, brasileiros, sabemos muito bem as condições de vida das pessoas com deficiência em toda a América Latina e Caribe, com ênfase no Brasil, são um retrato da exclusão e da discriminação que aqui imperam malgrado os esforços das organizações de pessoas com deficiências, e de suas famílias, para uma rápida mudança nesta situação.
Luis Fernando Gatjens traça um perfil bastante nítido dessa situação que transcrevemos a seguir:
"Direitos econômicos e sociais
Esta onipresente situação de depreciação, discriminação e exclusão, que
afeta as pessoas com deficiência em nossos países, se traduz em uma série de
violações de direitos econômicos, sociais e culturais. Esta situação, que
já é grave nas zonas urbanas, se torna muito mais grave em zonas rurais e
remotas. Segundo um estudo do BM, somente 3% a 4% dos serviços impactam as
pessoas com deficiência e, em geral, estas procedem das cidades.
Vejamos a situação, de maneira mais concreta, em alguns destes direitos da chamada segunda geração.
a. Educação
Os índices sobre o acesso à educação de crianças com deficiência apresentam
as mesmas limitações de exatidão estatística que aventei anteriormente.
Todavia, a partir dos dados disponíveis, podemos assegurar que as crianças
com deficiência tendem a ser excluídas dos sistemas educacionais,
violando-se desta forma, o seu direito à educação.
Este tipo de violação ocorre em todos os países da região, em diferentes graus e manifestações. "Na Colômbia, somente 0.32% dos alunos têm uma deficiência. Os índices são semelhantes na Argentina( 0,69% e no México (0,52%, enquanto que no Uruguai e na Nicarágua se informam porcentagens levemente superiores (2,76% e 3,5%, respectivamente). Ao comparar a população infantil com deficiência estimada com a quantidade de criança escrita no sistema educacional, observa-se que somente 20% a 30% das crianças com deficiência freqüentam a escola. (vi) E há países onde a situação é mais grave como a Bolívia, onde se estima que entre 74% e 97% das crianças com deficiência não recebem nenhum tipo de educação.
Cabe indicar que o acesso à educação varia segundo o tipo e grau de deficiência. É uma prática comum que as escolas recusem crianças com deficiência severa. Em nossos países, a educação de crianças com deficiência, em geral, é segregada e não passa do nível fundamental. Há um restritivo acesso às escolas do nível médio, em vista da escassa oferta de escolas especiais e à muito limitada inserção de jovens neste nível educacional.
Como resultado destas práticas discriminatórias, as pessoas com deficiência que freqüentam algum centro educativo, em geral, recebem menos educação e de menor qualidade que as pessoas com deficiências.
Segundo os dados do mencionado relatório do CIR, no Chile, atinge-se, em média, apenas 6,4 anos de escolaridade. No Brasil, somente 10% terminam a 8ª. Série. Em El Salvador apenas 5% terminam o ensino médio. Em Honduras, o índice de analfabetismo entre as pessoas com deficiência é de 51%, enquanto que para a população geral o indicador alcança 19% segundo dados do Banco Mundial.